segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Entre chaves
O momento. Intigante como o fogo de uma vela acesa que a cada movimento desfaz sua forma para imediatamente assumir outra, e depois outra e depois outra... O momento. Doloroso e doce como a ponta de uma caneta, como um cigarro aceso, como uma pálpebra se fechando. No momento, o agora, descubro o futuro do que não fui. E a cada momento estarei paralisado pelo tempo, consumido pelo futuro, no qual eu não sei quem serei.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Caminhada
Eu só sei ser.
Seguir meus pés,
Abanar minhas mãos
Juntar as pernas das minhas calças
Cruzá-las, acender um cigarro
E explodir-me em devaneios
Errantes.
Seguir meus pés,
Abanar minhas mãos
Juntar as pernas das minhas calças
Cruzá-las, acender um cigarro
E explodir-me em devaneios
Errantes.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Mas eu gosto.
Me fizeram acreditar que o amor é bonito.
Que nos jogam flores à beira de uma ponte
e lá embaixo está você em um barco,
com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
como quem espera a chuva chegar...
Não.
O amor é triste,
e nos jogam cacos de vidro
do telhado alheio,
estilhaçado.
Nos jogamos da ponte
e lá embaixo está você
em um barco, com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
esperando eu cair.
Mas eu gosto.
Que nos jogam flores à beira de uma ponte
e lá embaixo está você em um barco,
com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
como quem espera a chuva chegar...
Não.
O amor é triste,
e nos jogam cacos de vidro
do telhado alheio,
estilhaçado.
Nos jogamos da ponte
e lá embaixo está você
em um barco, com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
esperando eu cair.
Mas eu gosto.
sábado, 13 de novembro de 2010
Válvula
No fundo do meu coração não tem nada. Não se guarda nada no fundo do coração, a não ser que você queira que seja esquecido e que fique empoeirado. Tudo que tem no meu coração transborda para dentro do meu corpo e sai pelos meus poros como algo que foge pelo ar, evaporado.
Ritos de passagem
O jogo do instante buscando
Se locomover ao infinito.
O suspiro do tempo só pode escutado
Por quem está com os ouvidos
Bem perto da boca da eternidade.
Sussuros longos.
Tão longos quanto o bocejo
Do poeta insone.
É a busca da imortalidade ideológica,
Da eterna carência nossa
De estar aquém
De nós mesmos.
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