Eu só sei ser.
Seguir meus pés,
Abanar minhas mãos
Juntar as pernas das minhas calças
Cruzá-las, acender um cigarro
E explodir-me em devaneios
Errantes.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Mas eu gosto.
Me fizeram acreditar que o amor é bonito.
Que nos jogam flores à beira de uma ponte
e lá embaixo está você em um barco,
com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
como quem espera a chuva chegar...
Não.
O amor é triste,
e nos jogam cacos de vidro
do telhado alheio,
estilhaçado.
Nos jogamos da ponte
e lá embaixo está você
em um barco, com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
esperando eu cair.
Mas eu gosto.
Que nos jogam flores à beira de uma ponte
e lá embaixo está você em um barco,
com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
como quem espera a chuva chegar...
Não.
O amor é triste,
e nos jogam cacos de vidro
do telhado alheio,
estilhaçado.
Nos jogamos da ponte
e lá embaixo está você
em um barco, com um vestido longo,
olhando pra cima e fechando os olhos
esperando eu cair.
Mas eu gosto.
sábado, 13 de novembro de 2010
Válvula
No fundo do meu coração não tem nada. Não se guarda nada no fundo do coração, a não ser que você queira que seja esquecido e que fique empoeirado. Tudo que tem no meu coração transborda para dentro do meu corpo e sai pelos meus poros como algo que foge pelo ar, evaporado.
Ritos de passagem
O jogo do instante buscando
Se locomover ao infinito.
O suspiro do tempo só pode escutado
Por quem está com os ouvidos
Bem perto da boca da eternidade.
Sussuros longos.
Tão longos quanto o bocejo
Do poeta insone.
É a busca da imortalidade ideológica,
Da eterna carência nossa
De estar aquém
De nós mesmos.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Passarinho de noite não canta.
Na arrastada noite de primavera
de hoje
passarinhos não cantam mais.
Da janela do meu quarto
mil luzes acesas me provam
que se faz dia a qualquer hora.
Pessoas esperando algo.
Acontecimentos que perderam a hora do trem
e não chegam nunca.
Pessoas aprendendo a conviver
com o tédio
noturno.
Passarinhos dormindo.
Pessoas dormindo
acordadas,
sonhando
acordadas,
acordando
acordadas.
Passarinhos dormindo.
Até o que está preso na minha gaiola
e teima em fingir que não ouve o
barulho do teclado.
Soltei. Na esperança de que ele acorde e voe.
Ele o fez.
Agora espero alguém
pra abrir a porta de casa.
de hoje
passarinhos não cantam mais.
Da janela do meu quarto
mil luzes acesas me provam
que se faz dia a qualquer hora.
Pessoas esperando algo.
Acontecimentos que perderam a hora do trem
e não chegam nunca.
Pessoas aprendendo a conviver
com o tédio
noturno.
Passarinhos dormindo.
Pessoas dormindo
acordadas,
sonhando
acordadas,
acordando
acordadas.
Passarinhos dormindo.
Até o que está preso na minha gaiola
e teima em fingir que não ouve o
barulho do teclado.
Soltei. Na esperança de que ele acorde e voe.
Ele o fez.
Agora espero alguém
pra abrir a porta de casa.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Redenção
"O fundo do mar é o porto de todo naufrágio"
Luizinho Alves
FADE OUT
EXT.MAR - DIA
Um homem se joga do barco.
INT.HOMEM - NOITE
Um mar se joga do homem.
EXT.MAR - DIA
Um barco naufraga.
INT da EXT.FUNDO DO MAR - NOITE/DIA
Omar, frágil embarca.
Pra
onde?
FADE IN
FADE OUT
EXT.MAR - DIA
Um homem se joga do barco.
INT.HOMEM - NOITE
Um mar se joga do homem.
EXT.MAR - DIA
Um barco naufraga.
INT da EXT.FUNDO DO MAR - NOITE/DIA
Omar, frágil embarca.
Pra
onde?
FADE IN
Fé
Em nada acredito
a não ser nas pessoas
São elas que estão vivas
Em nada acredito,
muito menos nas pessoas
São elas que pensam que viver é estar vivo.
Em nada acredito
mas as pessoas
me fazem acreditar na minha descrença.
Em nada continuo não acreditando mesmo assim
já que as pessoas
se fazem desacreditar nelas mesmas.
E assim vivemos num mundo, hoje,
de fantasmas:
ninguém se vê
ninguém se ouve
ninguém se move
ninguém se comove
Em tudo acredito, agora
que vi em mim uma descrença
em mim mesmo.
Assinar:
Postagens (Atom)