sábado, 13 de fevereiro de 2010

No calçadão de Icaraí

Coisas estranhas
Que pessoas estranhas chamam de pensamento
Me enlouquecem pelo simples fato de que pensar em minha lucidez maquinante
Trabalhando a todo vapor por qualquer pombo que lança vôo em câmera lenta
No calçadão de icaraí
Me faz ter mais dúvidas em relação a  minha capacidade de suportar esse fardo do ser humano
Como coisa real e insignificante.

Se olharmos em volta somos qualquer um
Se olharmos de cima somos todo mundo
Se olharmos de fora somos ninguém
Se olharmos de longe (da terra) somos nada
E os meus pensamentos me tornam único
Na capacidade de ser insubstituível
Ser necessário para mim mesmo quanto ser humano

Talvez a máquina à vapor precise ser substituída
Modernizada.
Coração.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Reflexão

Em 05/02/10, tavinho paes escreveu:
MEUS CAROS,

... perdão: é verão, tá quente, tem carnaval, NINGUÉM QUER SABER DE NOTÍCIA RUIM E PENSAR DÓI e eu, sendo poeta, deveria ficar só fazendo poesia que é um pouco menos chato do que política!
... mas, lendo o Le Monde Diplomatique, achei que deveria pensar um pouco a respeito de dados que fui recolhendo em 5 matérias diferentes e em diferentes edições do jornal e mixei num artigo só...
... é curto, informativo; mas não é obrigado a ler nem comentar ou passar adiante!


ai de ti, haiti

.... achei esquisito: em apenas uma semana o Pentágono mobilizou para a ilha do Haiti um porta-aviões, com 33 aviões de socorro e 6 F-14  TOMBCATs; 6 navios de guerra (incluindo um destryer nuclear e dois cruzadores), além de 11 mil soldados. 
A Minustah, missão da ONU para a estabilização do Haiti chefiada pelo Brasil, tinha apenas 5 mil soldados. 
Porque será?Sabemos que a hegemonia dos EUA no seu “quintal” tem uma pedra no sapato: o Brasil democrático dos dias de hoje; e nele, a situação geopolítica global é a seguinte.

– o petróleo é uma riqueza importante; mas é preciso extraí-lo e transportá-lo, o que significa investimento, e, em consequência, estabilidade política. 
– será que o Brasil já é uma potência global:
Avaliem o seguinte:

– O Brasil é o segundo dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ficando atrás em importância apenas da China. 

– dos dez maiores bancos do mundo, três são brasileiros (e cinco chineses). Nenhum destes dez bancos é norte-americano ou inglês. 

– o Brasil tem a sexta reserva mundial de urânio (com apenas 25% de seu território investigado) e estará entre as cinco maiores reservas de petróleo quando for concluída a prospecção da bacia de Santos. 

– as multinacionais brasileiras figuram entre as maiores do mundo. A Vale do Rio Doce é a segunda mineradora e a primeira em mineração de ferro; a Petrobras é a quarta empresa petrolífera do mundo e a quinta empresa global por seu valor de mercado; a Embraer é a terceira empresa aeronáutica, atrás apenas da Boeing e da Airbus; o JBS Friboi é o primeiro frigorífico de carne de gado bovino do mundo; a Braskem é a oitava petroquímica do planeta. E por aí vai...

– ao contrário da China, o Brasil é auto-suficiente em energia e será um grande exportador. 

– nossa maior vulnerabilidade, a militar, pode ser superada graças à associação estratégica com a França. Nesta década, o Brasil fabricará aviões caça de última geração, helicópteros de combate e submarinos devido à transferência de tecnologia francesa. 

– dados do FMI confirmam: até 2020, se não antes, será a quinta economia do planeta. 

– o Brasil já controla boa parte do Produto Interno Bruto da Bolívia, Paraguai e Uruguai, tem uma presença significativa (no mínimo) na Argentina, da qual é sócio estratégico, assim como no Equador e no Peru, porque estes facilitam seu acesso ao Pacífico.

E tudo isso ocorre debaixo do nariz dos EUA. Aí está o osso mais duro para a IV Frota.

O Pentágono desenhou para o Brasil a mesma estratégia que aplica na China: gerar conflitos em suas fronteiras para impedir sua expansão e influência, a exemplo da Coréia do Norte, Afeganistão, Paquistão, além da desestabilização da província de Xinjiang, de maioria muçulmana. 
Na América do Sul, uma constelação de bases militares do Comando Sul circunscreve o país pela região andina e o sul. A pinça se fecha com o conflito Colômbia-Venezuela e Colômbia-Equador.
Agora contará com o porta-aviões haitiano, que desloca da ilha a presença brasileira, até agora dominante, à frente da Minustah. É uma estratégia de ferro, friamente calculada e rapidamente executada. 

O problema a ser enfrentado pelas nações e povos da região é que as catástrofes naturais serão uma moeda de troca – e um grande pretexto - nas próximas décadas. Isso é apenas o começo. A IV Frota será o braço militar mais experimentado e melhor preparado para intervenções “humanitárias” em situações de emergência.

Aliás, o que vem ocorrendo no Haiti é apenas a prática mais atualizada daquilo que Naomi Klein chama de “Capitalismo de Desastre” – vide tsunamis, katrinas, iraques & outros onze de setembro – e o terremoto do Haiti literalmente caiu do céu para os rapazes de Washington. 

PRA TERMINAR: vou citar Condoleezza Rice, a fada madrinha das hecatombes neoliberais, em nota ao Congresso Americano após o Onze de Setembro: ”Esta é uma oportunidade maravilhosa!!!!!!!!!!!!!!”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A noite

"Hoje finalmente eu vi o coelho na lua, "literalmente". Mas parece mais um cachorro do que um coelho. Só vi porque me mostraram, e mesmo assim discordei do pobre coelho. O coelho não uiva pra lua.. Os cachorros sim e seus parentes mais próximos, os lobos, também. Talvez eles se vejam também na lua. Há muitas teorias, muitas sobres os cachorros... Deixo-as para depois..."

 

A noite mais linda de janeiro
Quando finalmente no ultimo dia do primeiro mês do ano
O céu se escurece à sua perfeição

A lua quieta
Calada
Encherga o mundo inteiro
Sem pedir licença para as nuvens

O céu limpo
Negro-azulado
Cobre o mundo inteiro com seu manto
E enchuga o pranto do adeus do sol

Embala pela noite num blues
Cantado em voz baixa
Como quem fala ao pé do ouvido
Frases de amor

Bêbada de escuridão
Anda pelas ruas iluminadas pelo reflexo nas janelas das casas
Nadam em piscinas, agora azul escuras
Refletidas em paredes brancas

As estrelas brilham tanto
Que parecem conversar com você
E não se incomodam com as luzes amarelas lá de baixo
Que parecem em vão
Esconder sem motivo
A beleza vista por poucos que permanecem acordados
Esperando ela chegar: a noite.

E conversam com a lua
Recitando poesias em sua homenagem...
Ela não sabe falar
Mas fale você
Ela consegue te ouvir.

Um papel e uma caneta

Agora sim
Sinto-me e enchergo-me sem nenhum pudor
Assim como Adão sente e encherga sua própria nudez

No passeio enraizado
Dentro de um avião que dá piruetas pelo céu
Descubro em letras tremidas no papel
A completa inocência do meu ser
(Não que ela seja ruim)

Boio em marolas massageantes
Deitado num colchão de águas calmas
Azuis como o brilho eterno
De uma lua que ilumina a tinta no meu papel riscado
Uma lua que só se vê quando não se dorme

Vejo em cada letra
Uma página de um belo livro de histórias
Traduzido em desabafos mudos e solitários
Por mãos iniciantes na arte de se descobrir novo
Por pensamentos surpresos em se descobrir criador

Passeio pelas copas da árvores
Como quem pisa em nuvens
Esquecidas por sua grandeza
Veneradas (quando percebidas)
Pela sua beleza

Estico minha mão para pegar algumas maçãs
Em meio a malabarismos no sinal vermelho
Focalizando cada fruta ao jogá-las para cima
Como miniaturas do meu mundo, agora mudado
Mutável

Me sinto como um menino atento
Atento e inocentemente menino
Com seus olhinhos fixos em sua arte
Cabeça levantada
Boca aberta
Língua pra fora presa aos dentes

No exato momento em que joga seus mundos para cima
Como se quisesse malabarizar sua vida
Transformá-la
Pelo simples prazer de ter descoberto
Que ela agora parece ser muito mais
Do que uma maçã tirada da árvore

Descobri na maçã outra vida
Achei o coelho na lua
Reescrevi textos dos livros de páginas em branco
Apagadas pela mesmice do dia seguinte

Agora sim
Sinto-me e enchergo-me sem nenhum pudor
Assim como Adão sente e encherga sua própria nudez
Assim como um louco sente e encherga a própria lucidez
A magia, inocência e despudor de um beijo pela primeira vez

sábado, 30 de janeiro de 2010

Dez anos

Cada geração.
Uma heroína. É, a droga.
Quem prova pela primeira vez, sente a melhor onda do mundo.
Cada geração mostra-se como um furo no próprio corpo
Penetra em seu sangue, esquenta-o, e torna o indivíduo
Capaz de mudar o mundo
De transformar o futuro em nostalgia.
Há quem sofra pelo que não viveu
Há quem sofra pelo que optou por não viver
Há quem diga que tudo é bobagem.
Mas daqui a dez anos essa não será mais sua geração
Ela acaba em dez anos
Só dez
O prelúdio do futuro é a sua geração
Quem passa por ela sem se tocar que seu primeiro maior momento foi embora
Vive esperando morrer
Quem na sua geração foi chamado de futuro
Saiu de casa, foi pra rua e mostrou-se dono de seu momento
Depois de 10 anos fica velho
Vê outra geração tentar se mostrar
Ja não é mais a dele
Sua chance de ser "a geração" ja passou.

Um usuário de heroína
Continua usando sua droga porque busca em todas as vezes
Sentir o mesmo prazer inenarrável da primeira vez
Do seu momento
O momento mais mágico
A melhor onda que pode-se ter
A busca pela perfeição da primeira vez

Quem passa pela sua geração assistindo-a
Vira espectador da própria vida
Quem passa vivendo-a
Vira para sempre a própria
O momento mágico
A melhor onda...

Não espere sua geração chegar...
Ela não dura mais de dez anos.
Ela ja chegou.
Ela é agora.
2010-2020.
A geração das olimpíadas
A copa
A decolada do Brasil
A geração do fim do mundo.
Tomara que não a ultima geração.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Um terremoto em terra oca.

  Ontem em bateu uma saudade de amigos que eu não via a muito tempo. Sabia onde encontrá-los. No local estava tendo um show de pagode: o que ultimamente não parece surpresa pra ninguém que mora em Niterói/RJ. Fiquei lá fora até 1h30, quase 2h00 da manhã. Resolvi entrar e tomar uma cerveja, conversar com eles e dizer como o preço da entrada estava caro para "fazer a mesma coisa que todos os dias se tem pra fazer nessa cidade". Eis que me surge, logo após o show, um outro show (que eu ja sabia que ia ter) mas que não me tirava a curiosidade dos olhos. Queira saber o que ia acontecer num espaço que a 3 dias atrás recebia-nos para falar poesia, tocar músicas lindas e fazer algo que poucas vezes se vê pelo Rio de Janeiro.
  Encostado na grade fumando um cigarro, do lado de fora ainda, meu amigo vira e chega perto como quem vai contar um segredo. Algo que à distância parecia ser algo importante a ser dito. "Eu bolo como "..." está ficando forte." Eu olho e vejo outro amigo,  visivelmente mais baixo que eu (a considerar que eu tenho 1,87) de boné branco e camisa um pouco mais larga do que seu tamanho pediria. Ele não era "forte". Nem chegava perto disso. Percebi que ele estava querendo dizer o contrário. Percebi que o que importava para ele naquela hora, do lado de dentro do estabelecimento (e eu fora), fumando um cigarro igual o meu, ouviu as mesmas professoras falarem besteiras (ou não) quando criança, como eu, era se o nosso amigo do lado estava ou não musculoso, ou pelo menos perto disso. Nada no mundo era mais interessante do que isso.
  Entrei na esperança de ver algo novo, ou algo que pelo menos me desse esperança de que alguma coisa naquela noite seria mais interessante para pessoas alheias a mim e não ser "pegar alguma cachorra dessas" ou se "o cara do lado é mais forte do que eu" (sem é claro transparecer essa preocupação). Ou se "o cara que está chegando na "sua mulher" não vai pegá-la porque nó próximo segundo que ele descuidar eu entro e digo que a levo pra casa de carro".
  Começou o show. O problema é que aquelas pessoas que não tinham nada mais importante no mundo para pensar (e não precisa ir para algum lugar que se inspire pensamentos diferentes, quando se exercita-os e coloca-os em prática em qualquer lugar. O charme de hoje em dia é o que diferencia da maioria: saber conversar.) tiveram sua atenção na abertura do show voltada para as primeiras frases ditas pelo cantor.
  Coisas como "mulher gosta de dinheiro porraaaaaa!", "mulher de verdade gosta mesmo é de piroca" e por ai vai... Sobem mulheres gostosonas (e a essa altura eu já não sei se elas são realmente só porque tem uma bunda enorme) e começam a dançar ao ritmo da música enquanto o cantor dá tapinhas em suas bundas.        Parecem marionetes voluntárias. Ficam ouvindo serem tratadas como se estivessem sendo descritas por porcos ancestrais de 500 anos atrás ou mais. Dançam ao ritmo da ridicularização do ser mulher. Tratam-na como se fossem brinquedos sexuais dispostas em fila para dar um show de unitilidade sexual.
  Existem várias maneiras de se interpretar e usar palavras para descrever alguma coisa. "Putaria" não é a melhor para se definir um tipo de sacanagem que jovens gostam de fazer. Além do mais, de tanto ouvir, estes jovens acabam fazendo realmente putaria o invés de uma "sacanagem sadia". Parece estranho falar assim.
  Mas creio que começa pelo respeito a mulher. Ela não está ali porque serve para "bagunçar" "exculhambar" gozar e pronto. Ela está ali porque quer primeiramente. Fazendo qualquer tipo de coisa com alguém porque quer (talvez aquela coisa, que os caras "ocos" em volta dela, tem entre as pernas só sirva para satisfazer as brincadeiras que ela mesma quer naquele momento). Talvez se as mulheres fossem cantadas com mais respeito, sem mexer na cultura da música, do ritmo, da dança mas colocando mais poesia, mais melodia, mais coisas bonitas para se ouvir, o comportamento seria diferente.
  Eu dançava isso. Saber dançar, ter ginga, rebolar é uma característica dos povos latinos, dos brasileiros mais especificamente, e muito valorizada tanto no exterior tanto para homens quanto para mulheres. As maneiras criadas para de aperfeiçoar isso são muitas. Mas ultimamente, como disse Jorge Ben Jor, dança e ritmo não são o suficiente e eu particularmente não considero mais o que era antes. Voltando ao assunto:
  Ontem eu ali parado, eu que sempre dancei bem até por sinal, sentia como se não conseguisse nem mais soltar o quadril ou mexer a perna. Era como se eu sem perceber tivesse me recusado a dançar ditado por uma letra que leva a mulher até o pior dos patamares sociais, sexuais, culturais e faz com o sexo a mesma coisa. não estou querendo pregar nenhum tio de pureza ou santidade. Mas sou a favor de saber a sutileza das coisas. Saber se expressar, tranformar em letra, em música.
  O show acabou e a quantidade de coisas ditas, em palavras, vomitadas que eu ouvi podiam muito bem se encaixar em uma única música de 5 minutos, ou seja... Acabou e pairava uma sensação de que nada de interessante tinha acontecido e tudo que tinha acontecido só serviu para deixar mais "animais" os "animais" que ali pagaram, entraram, beberam, olharam para as mulherem como uma leoa caçando um gnu, e não pensaram nem conversaram sobre nada realmente interessante (pelo menos até onde eu ouvi).

  O estabelecimento foi se evaziando até fechar. Mais de 10 pessoas subiram naquele palco. Em nenhum momento, das 22h00 às 5h00 nenhumas dessas mais de 10 pessoas que tinham em suas mãos um microfone conseguiu se quer lembrar e lembrar aos outros que os assistiam que enquanto eles estavam fazendo aquilo, tinham outras pessoas morrendo por não fazê-las. Um pensamento simples que não exige muito esforço mental nem questões filosóficas no interior dos pensamentos para se ter uma boa conversa. Todos os dias os jornais e o mundo nos lembra o que está havendo lá. Mas nenhum deles conseguiu seque tocar no assunto ou dar as informações necessárias para se doar 10 reais. Preço de 3 cervejas que eles beberam para ficarem "doidões" e pegar alguém (estratégia infelizmente falha em 80% das tentativas). 
  
  A caminho (caminho da maioria dos que estavam lá por sinal) está a Heitoria da UFF. Na entrada dela, pendurada na grade existe um cartaz bem grande dizendo que lá se aceita doações para o Haiti. Quem não quiser doar dinheiro doe água e comida lá.






Doações para a Embaixada da República do Haiti:
Nome: Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
CC: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71

Doações para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV):
Nome: Comitê Internacional da Cruz Vermelha
Banco: HSBC
Agência: 1276
CC: 14526-84
CNPJ: 04359688/0001-51

 O Viva Rio, que está desde 2004 no Haiti, onde desenvolve projetos sociais ligados às áreas de segurança, desenvolvimento e meio ambiente, também abriu uma conta para quem quer fazer doações às vítimas do terremoto:
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1769-8
CC: 5113-6
CNPJ: 00343941/0001-28
A ONG Action Aid criou um site e disponibilizou o telefone 0300-7898525 para doações em dinheiro para as vítimas do terremoto.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Prelúdio da saudade

Num novo e singelo olhar revela-se a alma
Bonita e calma
Como o beijo doce de uma mulher

A chuva serena cai gota por gota
Molha a boca
Do bem que me quer

E de nada adianta esperar em casa
Se o vento frio que entra pela janela
Não trás a brisa fresca
Do perfume dela

Meus olhos cansados não vêem mais nada além
De teus abraços partidos
Nossos momentos vividos
Como se o amanhã fosse nos separar

E o chorar ja não passa
De um prelúdio da saudade
Que eu sentirei enquanto a minha saudade durar.