sábado, 8 de maio de 2010

A falta faz falta,
mata.
Falta o pedaço do que ficou.
                           Faz falta o outro que se foi.
                                                           Mata quem sente.

Não mais

Escrever é um pedido que minha agonia faz a mim mesmo
Agonia de estar com a caneta parada em um ponto fixo.
Quando nada que possa formar algo cabível neste espaço
vem a mente, o jeito é falar exatamente sobre isto que não me deixa falar de nada
Porque, se percebeste, chega um ponto em que o único motivo de estar escrevendo é para não deixar espaços em branco.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Doce Ilusão

Gostaria de fazer algumas contatações sobre vagas interpretações: A inconsequência é apenas reflexo da consciência inconsciente que nos leva pelo caminho mais prazeroso - o das perguntas sem respostas.

domingo, 2 de maio de 2010

Depois das 3

Noite nublada
de faróis e copos vazios, frios
Um pensamento
Duas pessoas.
Na calçada enluarada,
que tal uma última?
A primeira do final da noite.
Olha pra cá, veja-me te vendo
E me diga se quando o dia clareia
A gente não encherga o mundo como é,
sendo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cultuado

Texto postado no blog: http://linguaspresas.blogspot.com

Não me pergunte sobre minhas raízes cláustrofóbicas
Que crescem para baixo
Enveredando-se na base desequilibrada
Do que chamam de amor

Na prática de amar
O contrário do que se diz
É a verdadeira face
Do que não se vê

É quase tudo
De frente para o espelho
Vendo-se quase nada

É o copo de vinho esquecido
Pela amnésia da embriaguez
Calibrada
Do poco de vinho tomado.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Alarme

Diante das folhas secas do outono
Meus moinhos de vento pulverizam-se
No ar quente que esfria lá fora

Diante da folhas secas do outono
Meu ar quente se pulveriza
Nos frios moinhos de vento

Ele toca
Toca
Toca
...Está na hora...
Cala a boca.

Diante do frio seco do outono
Minhas folhas caem num balé sincronizado
Secando o asfalto molhado
Das águas passadas de outra estação

Diante do chão seco do outono
A fria pintura que aparece na minha janela
Esquenta meus desejos,
Acalenta teus anseios

Diante das árvores nuas do outono
Penduro enfeites de natal
Cubro-me nú com seu sono
Deitado em nossa cama de casal

Diante da cama quente do outono
Contemplo a nudez ingênua
A minha sala pequena
De onde te vejo: o sol

Deitado ao lado da minha morena
No frio seco da paisagem da estação
As folhas secas caem pequenas
Os moinhos de vento giram, e (pelo menos)
Eu acordo, caio, e não passo do chão.

Ele continua tocando
Eu acordei, levantei
E esqueci de desligar.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Luz dos olhos

Apague a luz.

Quando a gente apaga,
a gente encherga o mundo,
por de cima de tudo
que cresce sem nossa autorização.

O que se perde enquanto os olhos piscam
Pode ser o momento
Que vislumbra a criação do mundo,
Realiza sonhos profundos
E mata a saudade daquilo que nunca se teve.

Pode ser o instante
Irreal que nunca se terá
E não há de ser nada
Que não se possa conseguir
Se vocêestiver de olhos bem abertos.