Um dia chuvoso
Em tons naturais de sépia
Questiona a foto ainda não tirada
Da árvore ainda não plantada.
A câmera de lente opaca
Larga a vida reticente
E revela em seu quarto escuro
Uma bela imagem em movimento
Em direção a uma perspectiva diferente
como gotas de chuva que desaparecem
Após lavar o chão sujo da rua ao lado,
Evaporadas... Sobem sol a cima,
Tornam-se parte do céu
E brilham em cada constelação sob a terra.
segunda-feira, 8 de março de 2010
sábado, 6 de março de 2010
Pense bem.
"Eu tenho uma caneta na mão."
Muita gente tem uma caneta na mão. Aliás, todos tem o poder de uma caneta na mão.
É isso que preocupa. O que está sendo feito com o poder de uma caneta na mão?
Todos nós nos declaramos alguma coisa, mas sempre esquecemos que para sermos algo precisamos não ser. Eu quero dizer que, se você não sabe sobre o que existe como poderá escolher o que ser e o que não ser? Talvez, agora, você nem conheça direito o que é.
Desbruçar-se sobre as questões que envolvem seus pensamentos opiniões e críticas talvez não seja sensato quando se trata só de explorar seu interior mental. É preciso muito mais do que só ficar circundando você mesmo, é preciso expandir suas percepções, exercitar sua capacidade de alcance das coisas. É preciso que você olhe em 360º e duplique seu diâmetro a cada volta.
Entender o que há por trás de cada letra do nome das pessoas que passam por você na rua.
Saber que a boa crítica só é dada quando antes se entende o que se vai criticar.
Ter a humilde certeza de que ninguém é livre no que pensa.
Todos tem o poder de uma caneta.
Mas nem todos sabem o que vão escrever com ela, ou se sabem estão enganadas.
Façam, mas saibam o que estão fazendo, por favor. O mundo não precisa mais de cabeças deliberadamente pensantes.
Muita gente tem uma caneta na mão. Aliás, todos tem o poder de uma caneta na mão.
É isso que preocupa. O que está sendo feito com o poder de uma caneta na mão?
Todos nós nos declaramos alguma coisa, mas sempre esquecemos que para sermos algo precisamos não ser. Eu quero dizer que, se você não sabe sobre o que existe como poderá escolher o que ser e o que não ser? Talvez, agora, você nem conheça direito o que é.
Desbruçar-se sobre as questões que envolvem seus pensamentos opiniões e críticas talvez não seja sensato quando se trata só de explorar seu interior mental. É preciso muito mais do que só ficar circundando você mesmo, é preciso expandir suas percepções, exercitar sua capacidade de alcance das coisas. É preciso que você olhe em 360º e duplique seu diâmetro a cada volta.
Entender o que há por trás de cada letra do nome das pessoas que passam por você na rua.
Saber que a boa crítica só é dada quando antes se entende o que se vai criticar.
Ter a humilde certeza de que ninguém é livre no que pensa.
Todos tem o poder de uma caneta.
Mas nem todos sabem o que vão escrever com ela, ou se sabem estão enganadas.
Façam, mas saibam o que estão fazendo, por favor. O mundo não precisa mais de cabeças deliberadamente pensantes.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
LED
Leiam ao som de: http://www.youtube.com/watch?v=3f-mzWy-lT0
Amazing Grace - Jeff Beck & Carlos Santana
Descobri no sábado 28/02/10 que Luis Eduardo ou se preferirem LED morreu. Morreu a quase um mês já.
Pra quem não está entendendo nada, eu vou tentar explicar em poucas palavras, mas antes tentar explicar o porque de um post para falar disto: No colégio em que fiz meu ensino médio havia algo em torno de nossa convivência que nos fazia mais do que alunos e professores. Nos fazia humanos, amigos. Mesmo que nunca mais nos víssemos depois dali aquilo perduraria dentro de nós. E perdura agora. Sou eternamente grato a todos que lá me ensinaram a crescer e me preparar pra faculdade (não estou dizendo pro vestibular, estou dizendo pra faculdade).
Uma dessas pessoas foi um professor de biologia extremamente modesto ("só existem dois tipos de alunos: os que me acham o melhor professor do mundo e os que não me conhecem" LED) e que tinha consciência da sua capacidade como professor. Mais importante do que isso, ele amava o que fazia. E mesmo doente a algum tempo NUNCA parou de dar aula, a não ser quando era biologicamente, fisicamante e humanamente impossível por causa das suas internações.
Um homem que amou sua profissão, amou as aulas de deu, amou os alunos que teve, amou sua mulher e sua filha, amou seu colégio e amou sua cidade. Um homem que realmente pode ser chamado de professor. Um homem que agora morreu, mas que permanecerá eterno nos corações que conquistou.
Obrigado, LED, por me dar o PRAZER de conviver com você. Obrigado, LED, por me ensinar biologia. Obrigado, LED, por me fazer sentir orgulhoso de estar sentado de frente pra um dos maiores professores de biologia do Rio de Janeiro. Carregarei a imagem de você no tablado de frente para mim, ja sentado debilitado, ou as vezes em pé com mais energia do que possuía, para sempre.
Eu não passei em biologia no vestibular da UFF para cinema. Acabei fazendo outra faculdade de cinema... Mas biologia nunca foi meu forte mesmo. Meu forte foi sempre reconhecer grandes seres humanos. Você é um deles.
Não consigo mais escrever, estou chorando. Vou procurar teu cemitério, acharei, e lhe entregarei flores. Você merece!
Amazing Grace - Jeff Beck & Carlos Santana
Descobri no sábado 28/02/10 que Luis Eduardo ou se preferirem LED morreu. Morreu a quase um mês já.
Pra quem não está entendendo nada, eu vou tentar explicar em poucas palavras, mas antes tentar explicar o porque de um post para falar disto: No colégio em que fiz meu ensino médio havia algo em torno de nossa convivência que nos fazia mais do que alunos e professores. Nos fazia humanos, amigos. Mesmo que nunca mais nos víssemos depois dali aquilo perduraria dentro de nós. E perdura agora. Sou eternamente grato a todos que lá me ensinaram a crescer e me preparar pra faculdade (não estou dizendo pro vestibular, estou dizendo pra faculdade).
Uma dessas pessoas foi um professor de biologia extremamente modesto ("só existem dois tipos de alunos: os que me acham o melhor professor do mundo e os que não me conhecem" LED) e que tinha consciência da sua capacidade como professor. Mais importante do que isso, ele amava o que fazia. E mesmo doente a algum tempo NUNCA parou de dar aula, a não ser quando era biologicamente, fisicamante e humanamente impossível por causa das suas internações.
Um homem que amou sua profissão, amou as aulas de deu, amou os alunos que teve, amou sua mulher e sua filha, amou seu colégio e amou sua cidade. Um homem que realmente pode ser chamado de professor. Um homem que agora morreu, mas que permanecerá eterno nos corações que conquistou.
Obrigado, LED, por me dar o PRAZER de conviver com você. Obrigado, LED, por me ensinar biologia. Obrigado, LED, por me fazer sentir orgulhoso de estar sentado de frente pra um dos maiores professores de biologia do Rio de Janeiro. Carregarei a imagem de você no tablado de frente para mim, ja sentado debilitado, ou as vezes em pé com mais energia do que possuía, para sempre.
Eu não passei em biologia no vestibular da UFF para cinema. Acabei fazendo outra faculdade de cinema... Mas biologia nunca foi meu forte mesmo. Meu forte foi sempre reconhecer grandes seres humanos. Você é um deles.
Não consigo mais escrever, estou chorando. Vou procurar teu cemitério, acharei, e lhe entregarei flores. Você merece!
sábado, 27 de fevereiro de 2010
A Obra
Uma pintura.
Riscos em vermelho bem tingido
Que se afastam em direção oposta
Mostrando em seu interior manchas brancas que brilham quando sorriem.
Mais acima escorrem ao contrário pela tela ainda fresca
Traços em rosa e azul mal delineados que se ligam de uma ponta à outra
Apertados e bem abertos
Revelando um castanho escuro pela falta de luz
Mas claro pelo brilho da verdade que transparece
Como quem analisa e adimira ao mesmo tempo uma pela pintura.
Em volta da tela vê-se tinta escorrendo
Como algo que foi lançado em forma de bombardeio
Explodiu e seu sangue marrom claro, brilho do sol
Agora percorre (como quem segue o trilho de uma montanha russa em caracóis)
Agora percorre (como quem segue o trilho de uma montanha russa em caracóis)
Toda a tela até o final.
Por entre a tinta que desceu ainda vê-se todo o resto da vivacidade de cores das quais citei
E das quais não citei
Pelo simples fato de ter medo da descoberta inevitável
Que farão ao ouvirem o resto da minha descrição e logo após tiverem a comprovação.
Sinto o cheiro de tinta, ainda fresco
Como se a obra tivesse acabado de ser feita
E ainda não tivesse dado tempo de ser copiada
Justamente por não ter sido exposta.
Talvez o quadro nunca seque
Pra mim ele permanecerá
Ainda fresco
Como se a obra tivesse acabado de ser feita
E nunca será copiada, por mais que se exponha.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
02:34
Não quero falar sobre isso
Não quero falar simplesmente pelo fato de que...
Esse assunto nem deveria estar passando pela minha cabeça dessa maneira
Na verdade não quero nem pensar sobre esse assunto
Ele ja era pra ter sido resolvido
Mas eu ainda insisto em acordar a noite ir até a cozinha e tomar um copo d'água
Só pra ficar abrindo a geladeira e ter motivos para pensar
Sobre as milhões de questões que continuam querendo invadir meus pensamentos
Logo durante a hora de dormir
Talvez não seja a hora de dormir
Mas porque eu ficaria acordado?
Tudo que eu tenho pra pensar eu posso deixar pra pensar amanhã
Resolver amanhã...
Posso dormir com a bela canção de ninar da Consul,
Meu copo d'água ficaria à mesa de cabeceira
Um maço de cigarro ao alcance (para o caso de a insônia ser devassa)
E pronto!
As pessoas tem pressa.
E dizem que não pode deixar pra amanhã o que se pode fazer hoje.
Hoje
Hoje, hoje, hoje, hoje, hoje.
Porque não amanhã? Quando meus pensamentos já vão estar mais organizados,
Quando meu sono vai estar recuperado, quando minhas decisões ja vão estar meio encaminhadas
pelos meus sonhos.
Elas tem pressa. Tem pressa até de viver alguma coisa que eu agora prefiro chamar de "filosofia da geração"... ou ideologia...
E essa particularmente as vezes parece querer ser alguma coisa que foi confundida com ter pressa.
E por falar em filosofia, vamos deixá-la de lado no que tange as reflexões sobre o hoje e o amanhã.
O amanhã para mim - indivíduo prestes a dormir - existe.
Se não existisse não teria compromissos para amanhã.
Ah!
A propósito, ja é amanhã. Ou melhor, amanhã ja é hoje!
Não preciso mais me preocupar
Irei dormir hoje, e acordarei hoje ainda!
Não mais debaterei nem declararei guerra as filosofias de vida mal interpretadas por esses sonambulos mal resolvidos com a própria cama!
Quanto aos meus pensamentos.. eles não vão fugir.
Apaguei a luz, agora confiante de que dormirei sem aflições temporárias
Daqui a alguns minutos desligarei deitado por algumas horas
Meu sono será eterno até eu acordar.
Mudarei o mundo assim que eu levantar da cama.
Há quem chame isso de preguiça...
Se for,
Cuidarei dela quando acordar... amanhã.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Lado B
O encômodo encomoda mais quando os encomodados fazem de si acomodações de parasitas incomodativos, sem perceberem.
Perdem seus sensos de lucidez.
Ganham sensos de moralidade inadequada
Permanecem ativos, desprovidos de alma...
Calma.
O encômodo do qual eu falo não é contagioso nem patogênico.
Nasce quando nascemos
Não morre enquanto vivemos
Mas pode ser vencido enquanto os temos, para sempre.
Perdem seus sensos de lucidez.
Ganham sensos de moralidade inadequada
Permanecem ativos, desprovidos de alma...
Calma.
O encômodo do qual eu falo não é contagioso nem patogênico.
Nasce quando nascemos
Não morre enquanto vivemos
Mas pode ser vencido enquanto os temos, para sempre.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Circo de horrores
Não quero mais que chamem as pessoas de palhaço
Não aguento mais ver a palhaçada que anda rolando neste circo de horrores
O tabuleiro de xadrez está ficando colorido
Enfiaram estacas, e colocaram uma lona
Parece que vão se apresentar ali
São palhaços assistindo palhaços.
Não, não são.
Acabaram com a imagem do palhaço. O que estão fazendo com as crianças do nosso país?
Estão comparando a inércia e cafonice deles com um palhaço, comparando o mau caratismo e repugnância de políticos com um palhaço. Que criança crescerá não reconhecendo na figura de um palhaço tudo isso?
O palhaço.
Figura única, ainda criança, pura, inocente ser de um mundo que não a merece mais.
Os palhaços deviam morrer e virar santos:
Sujam seus nomes e ainda sim eles viajam o mundo carregando sementes das quais o mundo ja esqueceu de plantar.
Salve palhaço, eu gosto de você.
Não aguento mais ver a palhaçada que anda rolando neste circo de horrores
O tabuleiro de xadrez está ficando colorido
Enfiaram estacas, e colocaram uma lona
Parece que vão se apresentar ali
São palhaços assistindo palhaços.
Não, não são.
Acabaram com a imagem do palhaço. O que estão fazendo com as crianças do nosso país?
Estão comparando a inércia e cafonice deles com um palhaço, comparando o mau caratismo e repugnância de políticos com um palhaço. Que criança crescerá não reconhecendo na figura de um palhaço tudo isso?
O palhaço.
Figura única, ainda criança, pura, inocente ser de um mundo que não a merece mais.
Os palhaços deviam morrer e virar santos:
Sujam seus nomes e ainda sim eles viajam o mundo carregando sementes das quais o mundo ja esqueceu de plantar.
Salve palhaço, eu gosto de você.
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