segunda-feira, 11 de outubro de 2010

LEIAM E PENSEM

Texto escrito pelo meu Tio, Ciro, por causa de conversas com outras pessoas. Alguns deles foram mandados para a FOLHA DE SÃO PAULO:

"Dizer que a alternância do poder político é bom, é necessário, soa quase como um truismo, já que qualquer regime político, só é democrático, na medida que SUPÕE essa alternância. E exatamente é esse, o caso brasileiro, isto é, um regime democrático, pelo menos na esfera política, com eleições livres e direta para cargos executivos, como a presidência, a cada quatro anos, com a possibilidade de reeleição apenas uma vez consecutiva para os cargos executivos. É bom lembrar, que no caso brasileiro, pelo menos no atual momento, o estatuto da alternância não está correndo o menor risco, já que estamos passando, por absoluta normalidade e legalidade democrática, com todas as regras do regime político em vigor, e monitoradas pelo TSE. É bom lembrar ainda, que a questão da alternância como bandeira política, é mais pertinente, quando se está vivendo sob regimes dit atoriais. O que não é, repito, em absoluto, o caso do Brasil. Portanto defender a alternância de poder na atual conjuntura política, apenas por princípio, soa um tanto estranho, porque é como não se pudesse, pelo menos dar alguma chance ao eleitor de julgar determinado governo, a chance do eleitor poder aprovar ou não determinado governo. Dessa forma, não deveria haver, por sua vez, nem mesmo a reeleição, e quem sabe, quiçá, a própria eleição. Pois como o princípio maior, que rege um estado, por aquele ponto de vista, seria a alternância de poder, isto é, a alternância pela alternância, não deve caber mais ao eleitor, de acordo com aquele princípio, repito, decidir sobre o destino do estado anymore. Pois, se porventura, déssemos essa chance ao eleitor, o sistema político correria o risco de, segundo a vontade livre e majoritária do eleitor, dar continuidade a algum projeto político de um determinado governante, ou grupo político, uma co ligação de partidos, etc., COISA ESSA, que bagunçaria, por completo aquele princípio da alternância pela alternância. Portanto, se é dado pela legislação em vigor, ao eleitor o poder, de pelo voto livre, demonstrar a sua vontade soberana, o resultado será sempre IMPREVISÍVEL, porque pode sair vitorioso, tanto a situação como a oposição. Não são favas contadas aquela alternância, compreende? Não é certo que B irá substituir a A. No caso brasileiro, poderia apresentar inúmeros exemplos, mas vamos ficar apenas com o caso do estado de São Paulo, onde o governo tucano já governa lá há dezesseis anos consecutivos, e agora com a presente eleição de 2010, serão mais quatro anos, perfazendo um total de vinte anos de governo tucano, apenas num estado, e não se pode fazer nada para impedir isso, porque foi a vontade dos eleitores paulistas, e dessa maneira não foi possível haver nenhuma alternância. Por essa razão, veja como é complicado, essa coisa d e defender determinado princípio ou tese em abstrato, sem nenhuma conexão com a conjuntura, o contexto e a realidade. Voltando aos tucanos, nunca é demais lembrar, que o projeto de poder original, que os mesmos tinham para o país, também seria de no mínimo vinte anos no governo central, exatamente igual ao que eles estão ocupando na esfera estadual. Vinte anos de paulistério, porque o tucanato é e foi estruturado em Sampa, não é mais como na república velha, onde eles dividiam o poder com a república das minas gerais, a conhecida política do café com leite. Infelizmente pra eles, os tucanos, alguma coisa não fluiu como esperado, alguma coisa deu errado com o governo de oito anos deles, que fez com que o povo rejeitasse, apesar de todo o terrorismo político realizado durante a campanha política de 2002. Dizia-se até, caso Lula fosse eleito, que o Brasil viraria uma Argentina, que passava por uma terrível crise econômica. Imperava e passava-se um clima d e medo para a população, utilizando para esse objetivo, de atores e atrizes famosas, como foi o caso de Regina Duarte, lembra-se? HOJE, passados esses anos todos, podemos dizer com segurança, que o governo fhc, sucateou as universidades federais, arroxou os salários dos professores concursados, provocando um êxodo muito grande de doscentes, terceirizou-se o ensino e outras funcões e carreiras públicas, com enorme prejuízo na prestação dos serviços públicos à população carente, que é a que mais precisa dos serviços públicos. Tudo isso vinha no bojo do objetivo de reduzir o tamanho do estado, o chamado neo-liberalismo, que só podia se dar apenas na esfera econômica, porque a esfera política era um feudo, como acima, um projeto de vinte anos de poder. Fez-se a privatização de empresas públicas, usando o critério de aos amigos tudo, inclusive recursos do BNDES, aos inimigos nada, a ponto de numa conversa telefônica grampeada na época, o ministro Men donça de Barros dizer, que era uma temeridade fazer a privatização daquela maneira. O outro objetivo com as privatizações, seria reduzir o tamanho da dívida, e o resultado, pelo menos no que tange à dívida interna, multiplicaram-na por dez. Não havia quase crédito na praça, apenas os mais ricos podiam financiar a compra de imóveis e outros bens de consumo durável. A compra da casa própria para gente de baixo poder aquisitivo, não existia desde que faliram com o BNH. O salário mínimo, que era mínimo literalmente, não podia subir porque quebraria com previdência social, esse era um mantra por demais repetido ad nauseum. O país não crescia, e a desigualdade, que com o Real, havia melhorado um pouco, quer dizer, feito umas cosquinhas de nada na miséria, depois acomodou-se e acabou estagnando-se. Conforme foi se aproximando o fim do governo fhc e, com as enormes transferências de recursos públicos para os mais ricos, com o pagamento do aumento de jur os, as privatizações via BNDES, que como sabemos, as transferências de recursos do BNDES foi as escâncaras, a DESIGUALDADE E A INJUSTIÇA SOCIAL só fez aumentar. Distribuia-se recursos para determinados grupos econômicos e até mesmo indivíduos, poderem adquirir empresas e bancos estatais, sob critérios secretos e nada nada transparentes. Enfim, a lista de casos e exemplos são quase infinitos, prefiro, portanto, parar por aqui e deixar ao seu critério particular, fazer o juízo que desejar."


Ciro Alves da Silva.

PUBLICADO NO JORNAL DE ECOMONIST


 VALE A PENA LER, se bem que alguns ítens da lista abaixo, já estão defasados, como por exemplo: o salário mínimo pelo último câmbio do dólar à 1,70, seria 300 dólares; as reservas já perfazem mais do que 280 bilhões de dólares; o crédito disponível ao consumidor já ultrapassou os 45% do PIB, ou seja saímos de um patamar de algo em torno de 400 bilhões de reais em 2002 para algo como 1,6 trilhões de reais, não é pouco, não é mesmo? E tem a perspectiva de crescimento; E para concluir foram disponibilizados até o presente momento, mais de 14 milhões de empregos com carteira, segundo os dados do CAGED, e a previsão até o final de 2010 será ultrapassar os 15 milhões de empregos, e não os 11 milhões da lista abaixo. Abraço a todos mais uma vez, é preciso ficar atento e forte, como cantava Gal nos anos setenta. 

Ciro Lourenço.

PUBLICADO NO JORNAL THE ECONOMIST

The Economist publicou!
Situação do Brasil antes e depois: Itens
Nos tempos de FHCNos tempos de LULA
Risco Brasil2.700 pontos200 pontos
Salário Mínimo78 dólares210 dólares
DólarRs$ 3,00Rs$ 1,78
Dívida FMINão mexeuPagou
Indústria navalNão mexeuReconstruiu
Universidades Federais NovasNenhuma14
Extensões UniversitáriasNenhuma45
Escolas TécnicasNenhuma214
Valores e Reservas do Tesouro Nacional185 Bilhões de Dólares Negativos160 Bilhões de Dólares Positivos
Créditos para o povo/PIB14%34%
Estradas de FerroNenhuma3 em andamento
Estradas Rodoviárias90% danificadas70% recuperadas
Industria AutomobilísticaEm baixa, 20%Em alta, 30%
Crises internacionais4, arrasando o paísNenhuma, pelas reservas acumuladas.
CambioFixo, estourando o Tesouro Nacional.Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central
Taxas de Juros SELIC27%11%
Mobilidade Social2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza
Empregos780 mil11 milhões
Investimentos em infraestruturaNenhum504 Bilhões de reais previstos até 2010
Mercado internacionalBrasil sem créditoBrasil reconhecido como investment grade

domingo, 29 de agosto de 2010

Negando a realidade

Não, você não é uma flor. As flores, presas ao chão, só dançam conforme o vento. Você voa, balança em todas as direções, caminha leve, reflete cor nas paredes brancas do meu quarto. O sol só amanhece quando você acorda e fica ali, escondido, esperando-te levantar. Você cheira a gente, a cama antes de dormir, dengo. Não..., você não pode ser uma flor. Uma flor é real demais.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Andava tanto tempo sumido sem dar notícias...
Um vulto rápido na imensidão da parede branca.
Agarrei-te como uma criança agarra a sombra de Petter Pan.
Seu opostos apostaram na minha disponibilidade
E eu inocente
Me vi detido nas grades do seu seu nome
Que vaga ecoando na minha cabeça.
O prazer que sinto de novo
Não é nada menos que a felicidade de achar compatibilidade.
Ja era tarde para o acaso. Enfim, chegou.
Amar é surpresa!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Do papel em branco poetas fazem parir poesias.
Escrevo por não saber o que fazer, assumindo, talvez, a inutilidade de tantos pensamentos frios e calculadamente engenhados por um escravo da dúvida.
Andar entre tantos rostos conhecidos e não me reconhecer em nenhum
Foi o jeito que arranjei de me refugiar de mim.
Fiz de meu diário um caleidoscópio tipográfico.
Tantos ruídos de passos.
Tantos sorrisos impensados.
Conheço mais a eles do que a mim.
Escreveria uma tese sobre eles mas não consigo terminar a primeira frase de minha biografia.
De que adianta tanto ponderamento, crítica, questionamento,se meus ativismos só satisfazem a mim?
Toda arte é feita para quem a está esperando pra ver.
Não há sem quem não a veja.

Começo a duvidar das minhas lentes,  com a justificativa rigorosa de querer ser criador e criatura ao mesmo tempo. Criador e obra.


domingo, 13 de junho de 2010

Nutrimos uma certeza de que somos tal que
Talvez não tenhamos a duvida do que somos.
Merecemos o que queremos
Só,
e só,
Pelo fato de querermos.
Não há merecimento em certezas de ser
Ou desmerecimentos na falta de dúvidas de não saber se é
Só há o fato de querermos
com todos os poros de nosso corpo.
E por querermos com tanta vontade,
merecemos, por tamanha coragem de querer
num mundo no qual ter é o primeiro passo pra perder.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Beaticamente falando"

"Alguma coisa a gente tem que amar,
Alguma coisa tem que ser nossa por completo."
E quando a nossa completa ignorância diante da certeza
de nunca ter nada por inteiro
aparecer diante de nós envolto em lençóis brancos e azuis
levitando,
cantando em coro,
talvez tenhamos, pelo menos, certeza de que antes
não havia nada que nos convencesse do contrário.
Agora a dúvida.